Para o filósofo dinamarquês Sören Aabye Kierkegaard (1813-1855) a singularidade da vida humana consiste na angústia, isto é, não há ser humano que dela se isente, pois existir implica em angustiar – se.
Segundo Emanuel Carneiro Leão (2013, pag. 13) angústia é entendida por Kierkegaard como “força criadora da existência, vigor livre de criação. Não constitui uma entre muitas outras possibilidades humanas. Angústia perfaz toda condição humana em todos os indivíduos.
Levando em consideração esta definição de angústia na perspectiva kierkegaardiana, não se é possível atribuí-la a outros animais, uma vez que estão fadados a viver de acordo com as variações de seu meio, não perguntam por sua essência, não clamam por justiça, simplesmente funcionam.
Em contrapartida, o homem nasce condenado a ser livre, como posteriormente afirmou Sartre (1905-1980), tendo de fazer decisões a quase todo momento, muitas delas com consequências imprevisíveis. O homem não se trata, portanto, de um ser acabado, está sempre em construção, sendo um ponto de interrogação desde a sua origem.
Por isso, segundo o filósofo Dinamarquês “Sem embargo, a angústia não é nem neste caso nem em outro qualquer, uma imperfeição do homem, e pode – se dizer, ao contrário , que quanto mais original é um homem, tanto mais profunda será sua angústia[...]” ( Kierkegaard, 2011, pag. 57). Logo, se o que diferencia o homem dos animais seria a angústia, o que distingue um ser humano de outro, é o seu modo de lidar com ela.
A angústia de Kierkegaard fez dele um pensador de rupturas. Criticou o idealismo de Hegel, abdicou do episcopado devido ao clericalismo estatizado de sua época, tornando – se um dos mais incisivos críticos da igreja de seu tempo. Foi sem dúvida um “criminoso”, afinal, como ele mesmo salientou, “O maior crime de um homem é ser ele mesmo”. Perfazer nosso próprio caminho neste sentido, podemos nos tornar “mau”, tendo em vista que no senso comum, mal é inconscientemente associado ao que é exceção.
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